SWU 2011

No último fim de semana (do feriadão de 15 de novembro) teve em Paulínia a 2ª edição do Festival de Música e Arte SWU – Starts With You. Eu fui no do ano passado (que foi em Itú, no feriado de 12 de Outubro) e foi um dos melhores festivais que o Brasil ja fez em questão de line-up. O festival em si teve muitas falhas, falta de segurança e problemas de estrutura (filas enormes nas praças de alimentação, filas enormes pra entrar, som ruim, lugar pequeno pra MUITA gente…). O line-up foi o melhor possível. Teve Linkin Park, Incubus, Kings Of Leon, Dave Matthews Band, Regina Spektor, Avenged Sevenfold, Queens Of The Stone Age, Rage Against The Machine, Joss Stone, entre outros. Eu fui em 2 dias dos 3 do festival ano passado, e esse ano fui só em 1, no último – O melhor na opinião de muita gente. Só nesse dia rolou nos palcos principais: Raimundos, Duffy McKagan’s Loaded, Black Rebel Motorcycle Club, Down, 311, Sonic Youth, Primus, Megadeth, Stone Temple Pilots, Alice In Chains e Faith No More. No palco New Stage, rolou vários grupos de música eletrônica, além do japonês doido do Miyavi e a banda Simple Plan pra fechar a noite (a razão maior de eu ter ido nesse dia). Como vários outros festivais que já fui, acabei conhecendo e virando fã de bandas que eu mal conhecia. Foi o caso do Nine Inch Nails em 2005, no Claro Que É Rock. Eu só conhecia 3 músicas deles e hoje posso me considerar uma fã daquelas que sabe cada letra e cada riff. No SWU isso aconteceu com o Faith No More. Vou começar falando deles então, indo de trás pra frente na ordem dos shows do dia 14 de novembro de 2011.


(Foto: Virgula/UOL)

Com 15 minutos de atraso, um cara pernambucano entra no palco e anuncia o Faith No More. A banda entra, toca uma introdução, e então Mike Patton aparece no palco, todo de branco como o resto dos integrantes, de chapéu, bengala, e um cigarro, completando o estilo do palco. Quando ele entra, os gritos são ensurdecedores como se fossem os Backstreet Boys alí no palco. Eles abrem o setlist com “Woodpecker From Mars” emendado com um pedaço de “Delilah”, do cantor Tom Jones. Já aí se previa a loucura que seria esse show. Repleto de hits e músicas completamente diferentes uma das outras, o show foi desenrolando de forma quase hipnótica. Principalmente pra mim, que conhecia tão pouco e estava sentada na arquibancada tentando descansar e tomar menos chuva. Em “Evidence”, Patton cantou parte em inglês e parte num português bem enrolado, mas que surpreendeu. Foi quando chegou o famoso cover de “Easy”, mais famosa na voz de Patton do que a original, que o público cantou com toda vontade. Foi aí também que eu parei e percebi a voz incrível este homem tem. Logo após esta música, entra “Surprise! You’re Dead!”, do álbum de 89. A mudança de estilo é tão drástica que te faz rir. Eu ri. Muito!
Antes do encore, “King For A Day” começa de um jeito inusitado: Patton pede pra galera gritar “PORRA! CARALHO!” no ritmo da música, e assim vai até o final dela, automaticamente. Ele cantava, o povo gritava: “PORRA! CARALHO!”. Aliás, palavrões não faltaram em todo o show. Todos em português. Mike Patton provou que fala português melhor que muito brasileiro até. Ele falava “obrigado” como se estivesse conversando com a gente, muito natural. Logo em seguida veio o maior hit da banda, “Epic”, que muita gente pensa que é do Nirvana. A parte estranha dessa música ao vivo é que a voz de Patton no CD ainda era fina, e hoje é grossa. Fora isso, foi literalmente Épico. Da arquibancada, lá longe, eu ouvia a galera cantando com todas as forças restantes depois daquele dia cansativo e chuvoso.
Quando você pensava que já tinha terminado toda a doidera que foi esse show, Mike Patton fecha o setlist com um cover de “This Guy’s In Love With You”, de Burt Bacharach. Pois é. Preciso falar mais alguma coisa? Apesar de curto (só 17 músicas), foi realmente um dos melhores shows do ano no Brasil. Se não O show do ano no Brasil. Mesmo depois de muitos anos separados e sem lançar música nova (o último álbum da banda foi lançado em 1997!!!), eu sei que o Faith No More é uma banda que ainda vai ficar muito tempo na história.

Bom, já falei demais. Agora vou falar brevemente de alguns shows do dia que eu assisti (eu não consegui ver todos por causa da chuva e do cansaço. Ninguém é de ferro!).


(Foto: Samuel Kobayashi/Multishow)

A banda americana formada em Nebraska, 311, traz um new metal bem diferente e animado. Pouco conhecida no Brasil, mas já existente desde 1988, eles surpreenderam o público que estava lá esperando outras bandas principais. Gostei bastante do show deles, os músicos são bons, as músicas são ótimas e eles agitam bastante. Os poucos fãs presentes cantavam todas as letras.


(Foto: André Bittencourt/Multishow)

O primeiro show que assisti no dia 14 foi o do Black Rebel Motorcycle Club (muitas vezes abreviado para BRMC). Fiquei surpresa ao ver uma mulher na bateria, mandando muito bem, assim como o baixista e o guitarrista. A banda tem três membros somente, sendo dois vocalistas que revezam entre as músicas e a baterista que também faz backing vocal. As músicas lembram um pouco o som dos Strokes, Oasis, The White Stripes, Arctic Monkeys e assim vai. É um rock que gruda na cabeça e faz você cantar mesmo sem conhecer as músicas. Show excelente.


(Fotos: Flavio Moraes/G1)

Eu e meus amigos descemos pro palco New Stage onde ia ser o show do Simple Plan, assistimos o Miyavi (foda) e o Crystal Castles (terrível. Graças a Deus só durou 30 minutos). Tudo lá estava atrasado, então o Simple Plan só subiu no palco por volta das 23h40 (estava marcado pras 22h45).
O show foi maravilhoso. Só tinha fã lá o que ajudou muito. Tirando algumas meninas sem noção, todos estavam lá para curtir e não para se apertar. Deu pra dançar, pular muito, e cantar loucamente. A chuva que caiu durante o show deles foi a mais intensa do dia inteiro, e só parou quando eles saíram do palco ao som de “Perfect”. Cliché né? Hahahaha.
Como prometido e como de costume em festivais, eles só tocaram singles. Como os outros dois shows que assisti da banda, abriram com “Shut Up”, já animando bastante a galera. Depois veio “Can’t Keep My Hands Off You”, “Jump” (com mashup de “I Gotta Feeling”), “When I’m Gone” cantada em coro pelo público, “Addicted”, voltando aos bons velhos tempos, “You Suck At Love”, “Your Love Is A Lie” (os gritos de “LIE! LIE!” Ainda ecoam na minha cabeça…hahha), e depois veio pra mim o melhor momento do show: “Astronaut”. Pierre dedicou essa música aos fãs que acompanham a banda desde as antigas e ainda continuam fiéis (tipo eu assim…). Preciso falar que chorei? E fiquei um pouco brava ao mesmo tempo porque muita gente nem sabia da existência daquela música. Mas enfim… Veio uma pequena pausa e eles continuam com o setlist fazendo o momento PARTY de todos os shows, dessa vez com um medley de “Fuck You”/ “Dynamite”/ “Raise Your Glass”, com direito a reboladinhas coordenadas de todos e um barman fazendo caipirinha na hora. “Jet Lag”, “Welcome To My Life” e “I’d do Anything” fecharam a setlist antes do encore. Como perceberam, foi um show curtíssimo, só com singles, mas bem animado e bastante aplaudido pelos fãs que esperaram ansiosamente por aquele show. Apesar de tudo, valeu a pena.

E é isso. Essa foi minha saga SWU desse ano. Eu acho que esse festival ainda tem muito a crescer, melhorar line-up e estrutura. Mas esse ano já provou que os próximos serão melhores. As praças de alimentação eram bem posicionadas, grandes (não tinham filas), com muita opção de comida e bebida. Vários ambulantes andavam pelo parque todo não deixando ninguém com sede. As vezes até alguém vendendo pizza passava por você no meio da galera. Os banheiros acho que ainda tem que aumentar, pois não comportam mais de 70 mil pessoas em um dia, imagina em três. O parque onde foi o festival esse ano é excelente, enorme, bonito, e bem mais perto. Tem uma rodoviária e um shopping logo ao lado, ótimo acesso e muitas linhas de ônibus vindo de todos os lugares. Paulínia fechou contrato para mais quatro SWU, e a gente só agradece.
Ano que vem estarei lá novamente!

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