A longa história de David Fincher e Trent Reznor.

Estou preparando esse post já faz pelo menos um mês. Desde que eu vi esse post aqui, eu comecei a me interessar mais na relação entre o diretor David Fincher e o músico Trent Reznor. Eu já conhecia o trabalho de ambos, mas nunca fui pesquisar muito profundamente. Pois bem. É dessa dupla que eu vou falar no post de hoje. Juntos e separados.

David Fincher, como muitos devem saber, é um famoso diretor de Hollywood, que já foi indicado à 2 Oscars. Mas o que alguns não devem saber é que antes de entrar no mundo dos filmes, Fincher dirigia clipes musicais. Ele trabalhou com vários artistas famosos, indo de Sting até Madonna, e óbvio, passando pelo Nine Inch Nails (banda de Trent Reznor). Os mais famosos são o clipe do hit do Wallflowers, “6th Avenue Heartache”, “Janie’s Got A Gun” do Aerosmith, e os mais queridinhos da melhor época da Madonna: “Express Yourself” e “Vogue”.
Aqui vem a primeira ligação entre Fincher e Reznor: o diretor fechou sua carreira de clipes musicais com o genial “Only”, do Nine Inch Nails. A utilização de detalhes e objetos é e sempre foi uma das marcas registradas de Fincher, e no clipe ele abusa. Vale a pena assistir:

Além de ter dirigido mais de 50 clipes, David Fincher tem nas costas já 8 filmes muito famosos, e mais 8 prováveis pela frente. Eu assisti todos, menos um, o primeiro: Alien 3, de 1992. Não é meu estilo de filme preferido, então eu pulei esse. Minha maratona começou com Se7en, de 1995. Eu sempre ouvia falar desse filme, mas nunca conseguia ver. Me arrependi de não ter visto antes! Um dos melhores filmes que já vi, com ótimas atuações (logo logo eu falo mais do Brad Pitt…), trilha, edição, roteiro, e óbvio…direção perfeita. Um filme razoavelmente antigo, mas que ainda tem cara de moderno, tirando as feições muito jovens de Brad Pitt e Gwyneth Paltrow. Fica a dica que a melhor parte do filme todo é a cena final, com a famosa frase do personagem David Mills (Pitt): “What’s in the booooooox?”.

- Na verdade, a primeira colaboração entre Fincher e Reznor foi nesse filme. Os créditos iniciais rolam ao som de um remix de um dos maiores sucessos do Nine Inch Nails, o hit “Closer”.
Nota: 9.

O próximo filme da lista é The Game (Vidas em Jogo), de 1997. De longe o mais fraco do diretor, mas ainda assim surpreendente como todos os outros. O começo e o meio do filme não fazem sentido nenhum, você fica perdido tentando entender a base da história e chega até a dar sono. Apesar do ótimo elenco (Sean Penn e Michael Douglas interpretando dois irmãos), a única parte realmente boa do filme é o final, que obviamente eu não vou contar aqui por ser o clímax. Eu terminei de ver o filme falando: WTF??? Mas, como eu assisti, tinha que colocar ele aqui no post de qualquer forma. E não, esse não tem nenhuma relação com Trent Reznor.
Nota: 4,5.

Se tirarmos A Rede Social da lista, Fight Club (Clube da Luta), de 1999, é com certeza o melhor filme do diretor. Eu só falo isso porque o primeiro ainda é meu favorito. Mas desde a primeira vez que assisti Clube da Luta, eu já sabia que era um daqueles filmes que ficam pra história. Eu já vi e revi esse filme umas 10 vezes pelo menos, e nunca me canso dele. Foi o auge da carreira de Brad Pitt e Edward Norton, foi o primeiro filme que vi da Helena Bonham Carter, e o primeiro grande sucesso do cinema de Jared Leto como ator. Nem preciso falar das frases marcantes, da trilha sonora, e da storyline perfeita né? E da cena final épica também não, certo?

- E aqui vem outra ligação Fincher-Reznor: O escritor do livro em que o filme foi baseado, Chuck Palahniuk, disse que o album The Downward Spiral, do Nine Inch Nails, foi sua maior inspiração. Que a música “Hurt” ficava no repeat e encaixava perfeitamente na história que estava escrevendo. Reznor comentou que foi chamado pra fazer a trilha sonora do filme, mas estava muito ocupado gravando o próximo album do NIN. Rumores ainda rolam que Fincher gostaria de fazer um musical na Broadway baseado em Clube da Luta, e aí sim Reznor faria a trilha sonora perfeita. Meu sonho de consumo, posso dizer.
Nota: 10.

Panic Room (Quarto do Pânico), de 2002, é o filme queridinho da Globo (sou só eu que percebo como eles amam passar esse filme?), do Telecine, da TNT…Acho dificil que alguém ainda não tenha visto. A primeira coisa a comentar é: David Fincher gostou tanto de trabalhar com Jared Leto em Fight Club, que chamou ele de volta. Tem até um video engraçadinho no Youtube das gravações desse filme, em que os dois parecem melhores amigos. É um filme comum de suspense, mas com aquele toque especial do diretor. E logicamente, como ele nunca falha nesse ponto, atuações impecáveis. Acho que a melhor parte é ver Kristen Stewart não fazendo cara de Bella Swan. Esse também não tem nenhum toque de Trent Reznor. Mas bem que deveria! Haha.
Nota: 7,5.

Zodiac (Zodíaco), de 2007, é um excelente filme pra mostrar a marca registrada de David Fincher: histórias longas e detalhadas. Lembro que quando vi esse filme pela primeira vez, achei muito bom, mas muuito longo. O que faz o filme ser bom é pra variar as atuações de um elenco de peso (Jake Gyllenhaal, Mark Ruffalo, Robert Downey Jr.), e a maneira com que o diretor consegue ligar um ótimo roteiro, com ótimos editores, e takes incríveis. Foi nesse filme que comecei a me apaixonar pelo “visual” dos trabalhos dele. Recomendadíssimo, caso alguém ainda não tenha visto. É meio estilo Se7en, mas com menos violência e mais história.
Nota: 8.

O verdadeiro queridinho das premiações foi The Curious Case Of Benjamin Button (O Curioso Caso de Benjamin Button), de 2008. O filme teve 13 indicações ao Oscar, ganhando 3. O que é uma coisa meio injusta já que pra mim o filme que mais deveria ter sido premiado foi Fight Club, mas isso não vem ao caso agora. A paixão (é assim que eu vejo, pelo menos) que David Fincher tem pelo ator Brad Pitt se conclui nesse filme…. por enquanto. É uma relação meio Tim Burton e Johnny Depp, e assim como essa dupla, eles deviam fazer filmes juntos para sempre. Foi somente fazendo essa maratona de filmes que eu realmente comecei a reconhecer Brad Pitt como um excelente ator. Eu nunca achava muito dele e de suas performances além de um rostinho bonito de Hollywood, mas quando você pára pra analizar…confesso que ele virou um dos meus atores preferidos. Ele não faz as mesmas caras e expressões em todos os personagens, e o maior exemplo é o Benjamin Button. Na segunda vez que vi o filme, analizei muito mais a atuação dele, e fiquei muito surpresa. Mas também posso dizer que ele carrega o filme nas costas, porque eu não consigo gostar do papel da Cate Blanchett.
Posso terminar sobre esse filme dizendo que a “cena épica final”, que todo filme do Fincher tem, nesse caso, é quando aparece Brad Pitt com feições de 18 anos de idade. Nunca pensei que aquilo fosse possível de se fazer só com maquiagem…..
Nota: 9,5.

Bom, já falei desse filme umas 3 vezes pelo menos aqui no blog… mas acho que já está na hora de falar de novo. Hehehe. De longe o meu preferido do diretor (por enquanto), The Social Network (A Rede Social), foi outro bem elogiado pelas críticas, até mais que o Benjamin Button. Mas só foi reconhecido por algumas premiações importantes (como o Globo de Ouro e o BAFTA, por exemplo). Já o Oscar…prefiro não comentar. Já comentei o suficiente aqui. A única coisa que eu vou comentar porque TENHO que comentar, é que volto aqui a falar da ligação Fincher-Reznor, porque a Academia foi finalmente justa ao dar o prêmio de Melhor Trilha Sonora Original para A Rede Social, composta por, obviamente, Trent Reznor e Atticus Ross. O primeiro trabalho fazendo trilha sonora, sem cantar, sem banda, sem nada, e o cara leva um Oscar pra casa. Quer mais ou acha pouco? A trilha também ganhou prêmios no BSFC Awards (de Boston), no Las Vegas E no Los Angeles Film Critics Awards, no Critics Choice, e no Globo de Ouro. Infelizmente, o (EXCELENTE) trabalho de Fincher nesse filme já não foi tão bem reconhecido assim. Volto a dizer que ele já deveria ter ganho lá em 2000, pelo Clube da Luta, mas enfim…
Melhor direção, melhor trilha, melhor elenco, melhor edição, melhor fotografia, melhor roteiro, melhor “cena épica final”, melhor tudo.
Nota: 10. (poderia ser qualquer outra?)

Por fim, o mais novo trabalho, com lançamento marcado para o final desse ano ainda, é o filme baseado no best-seller sueco The Girl With The Dragon Tattoo (em português: Os Homens Que Não Amavam As Mulheres. Em sueco: Men Who Hate Women. Pois é). Esse talvez seja o filme mais “dark” da carreira de Fincher, depois de Clube da Luta. Dizem por aí que não é um remake da versão sueca do filme, e sim mais baseado no livro. Mas como eu nem li o livro nem vi o filme…não posso opinar. Mas fiquei muito curiosa e ansiosa pra ver esse filme, ainda mais depois do ótimo trailer que caiu na internet recentemente (linkado abaixo). Novamente, e eu espero que muitas outras vezes, Fincher contratou a dupla Trent Reznor e Atticus Ross para fazer a trilha sonora. E a primeira prévia já veio no trailer: um remix feito pelo Trent e cantando pela vocalista do Yeah Yeah Yeahs da música “Immigrant Song”, do Led Zeppelin. Épico é pouco.

Agora vem a parte divertida. David Fincher vai ficar marcado na história como “o cara que adora colocar as mesmas pessoas em vários filmes”. Tirei todas as informações do Wikipedia:
Na parte de atores, Richmond Arquette e Bob Stephenson já fizeram 4 filmes com o diretor, Joel Bissonnette fez 3, Christopher John Fields também 4, Rooney Mara agora tem 2 (Fincher gostou dela em A Rede Social e simplesmente a escolheu para protagonizar The Girl With The Dragon Tattoo), assim como Jared Leto, e por fim Brad Pitt, com 3.
A parte curiosa é nas produções dos filmes. Kirk Baxter já fez edição para 2 trabalhos, 3 contando com The Girl With The Dragon Tattoo, e o mesmo aconteceu com o diretor de fotografia Jeff Cronenweth, o sonoplasta Ren Klyce (que fez simplesmente TODOS) e Angus Wall, também editor (já com 5 trabalhos com Fincher). Howard Shore (responsável pela melhor trilha de todos os tempos: a da trilogia O Senhor dos Anéis) também marca presença como compositor de 3 filmes do diretor. E agora, Trent Reznor e Atticus Ross estão entrando para essa incrível lista.
A futura promessa da carreira do diretor é a produção de uma versão da Disney do famoso livro 20 Mil Léguas Submarinas, de Júlio Verne. Aí vem coisa boa…

Eu sei que esse post já está giganteeesco, mas eu prometi que ia falar um pouco mais sobre Trent Reznor e o Nine Inch Nails, então aí vai, rapidamente.

O NIN surgiu em 1988, inicialmente um projeto de rock industrial de um certo gênio (ainda jovem na época) produtor, compositor, cantor e multi-instrumentalista chamado Michael Trent Reznor. Em 1989, quando Reznor quis entrar num estúdio profissional pra gravar um album de verdade, ele montou uma banda completa. Desde então, cerca de 20 músicos já passaram pelo Nine Inch Nails, alguns se tornando oficiais em alguns cds, outros só participando de turnês pelo mundo. Esses membros incluem: Robin Finck, que já tocou e gravou com o Guns N’ Roses, sendo o guitarrista que ficou mais tempo com o NIN, de 1994 até meados de 2008; Justin Meldal-Johnsen, baixista, que tocou muito tempo com o cantor Beck, participou da última turnê do NIN, em 2009; e o jovem baterista Ilan Rubin, que tocou com a banda britânica Lostprophets quando tinha apenas 18 anos de idade, e participou também da última turnê do NIN, já com 21.

Eu tive a imensa chance de ver eles tocando no Brasil em 2005, no festival Claro Que É Rock, e foi incrível. Um dos melhores shows que já vi, e eu lembro de tudo detalhadamente. Não há modo de explicar como é a sensação de ouvir uma banda dessas ao vivo.
Bom, alguns anos depois eles prometeram voltar, marcaram show na Via Funchal….e daí o Trent anunciou o fim do Nine Inch Nails. Por um lado foi bom, porque ele se juntou com o Atticus Ross (com quem ele já havia trabalhado antes nos “Ghosts” do NIN, que são algumas músicas só instrumentais, lançadas quase no fim da banda) e começou a fazer trilhas sonoras. Casou, teve um filho, e formou um projeto com a esposa, chamado How To Destroy Angels.
Trent ainda diz que tem projetos pra voltar com o NIN, e eu espero MUITO que isso seja verdade e aconteça um dia!

Bom, chega né? Deixo aqui um video gravado nos ensaios da última turnê deles, tocando uma das minhas músicas preferidas da banda, “1.000.000”.
PS: Posso dizer que essa é a minha nota final pra todos os trabalhos do Trent? 1 milhão? :D

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